Representantes do Discord precisam apresentar até segunda-feira (10), um plano de medidas para aplicar à proteção na plataforma digital à Advocacia-Geral da União (AGU).
O que é o Discord?
O Discord foi criado em 2015 originalmente para jogadores de videogame. Durante a pandemia, a plataforma conquistou outros usuários, desde adolescentes e até adultos, que usam o aplicativo para trabalhar, estudar e fazer cursos. A plataforma possui a versão gratuita, mas também oferece planos pagos, permitindo a comunicação por mensagem de texto, áudio e vídeo e pode ser utilizado por celulares, computadores e navegadores. Um dos recursos mais utilizados é a transmissão ao vivo de vídeos, em que os participantes podem acompanhar as transmissões e fazer comentários em tempo real.
Usado para cometer crimes
Em 2023, já eram levantados questionamentos preocupantes em relação ao aplicativo. O Discord, se tornou ponto de encontro de jovens e adultos que propagam narrativas de contracultura, como o movimento incel (celibatários involuntários, uma subcultura digital formada por homens que se sentem frustrados por não conseguirem parceiras sexuais ou românticas), hackers e investidores em criptomoedas, segundo a agência DW.
Um caso brasileiro recente
Em maio de 2026, um adolescente foi apreendido em São Paulo, suspeito de induzir meninas à automutilação e ao suicídio, dentre as vítimas, uma criança de 12 anos. O adolescente também é investigado por estupro de vulnerável, associação criminosa, posse e divulgação de pornografia infantil. Outra situação grave, apontado pela Justiça de São Paulo é que meninas teriam recebido dinheiro para gravar vídeos de automutilação.
Em Goiás
Em 2025 um caso preocupante ocorreu em Goiânia. Um adolescente foi apreendido suspeito de estar ligado a um grupo que promovia competições de automutilação no Discord. A investigação também apontou para conteúdos relacionados à crueldades contra animais, extremismo e incitação ao ódio levando a discussão de possíveis ataques violentos. Outro caso, segundo a PCGO, ocorreu em Caldas Novas e se trata de um adolescente de 16 anos, que utilizava a plataforma Discord para a transmissão de atos violentos, como por exemplo, a agressão contra uma pessoa em situação de rua no Rio de Janeiro.
Falhas na plataforma e fiscalizações
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), abriu na última sexta-feira (7), um processo para apurar possíveis falhas na plataforma e fiscalizar o cumprimento de normas de proteção de dados. A investigação reúne informações que refere a um episódio de automutilação seguido de suicídio de uma adolescente de 13 anos. A ANPD apura ainda se a Discord cumpriu as obrigações previstas no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), além de averiguar se a plataforma possui mecanismos para verificação de idade mínima para acesso e a retirada de conteúdos considerados ilegais.