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Quando ensinar vira um risco: a violência contra professores que se repete nas escolas

Em apenas três meses, diferentes casos de agressões e ataques contra educadores reacenderam uma pergunta urgente: até que ponto o professor está seguro dentro da própria sala de aula?
Alunos colocam cacos de vidro em copo de Professora (Fonte: reprodução)

Ensinar deveria ser uma profissão marcada pelo conhecimento, pelo diálogo e pela construção de possibilidades. Mas, nos últimos meses, uma sequência de episódios de violência contra professores tem colocado outra palavra no centro dessa realidade: medo.

Em julho, um professor de Palmas (TO) precisou se afastar após ser agredido dentro de uma escola. Em agosto, uma professora de 61 anos, em Londrina (PR), denunciou ter sido agredida por um estudante dentro da sala de aula. No mesmo mês, em Manaus, o professor Vinícius Figueiredo, de 23 anos, foi atacado com um canivete durante uma aula de reforço e sofreu nove golpes.

Professor é esfaqueado por aluno de 15 anos (Foto: reprodução)

E setembro começou com um episódio ainda mais grave. Na noite de sexta-feira (11), uma professora de matemática foi atacada com uma faca por uma aluna dentro de uma escola estadual de Cametá, no Pará. A agressão foi registrada por uma câmera de segurança. A estudante foi apreendida e a professora, identificada como Betânia Prestes, precisou ser hospitalizada.

São histórias diferentes, em lugares diferentes, envolvendo pessoas diferentes. Mas todas deixam uma mesma questão: o que está acontecendo dentro das escolas para que professores estejam sendo agredidos no exercício da profissão?

Não se trata de reduzir um problema complexo à punição. Violência escolar envolve questões sociais, familiares, emocionais, institucionais e também a forma como as escolas estão preparadas para lidar com conflitos.

Mas também não é possível normalizar. Professor não deveria precisar entrar em uma sala de aula pensando se vai conseguir sair dela em segurança. Quando um educador é agredido, não é apenas uma pessoa que sofre. É a própria escola que perde parte da sua função como espaço de convivência, aprendizado e proteção.

A violência contra professores não pode ser tratada como “parte da profissão”. Ensinar já é um trabalho difícil. Ter medo de quem está dentro da sala não deveria fazer parte dele.

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