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Brasil se aproxima de um ‘apagão’ de professores: número de jovens cai 31% em oito anos

Levantamento aponta crescimento de 104% na quantidade de docentes com 60 anos ou mais e acende alerta para a reposição de profissionais nos próximos anos
A falta de professores em alguns municípios é fator preocupante (Foto: Sintep.Org)

O Brasil pode enfrentar dificuldades para repor professores da educação básica nos próximos anos. Um levantamento divulgado pelo Instituto Semesp mostra que, enquanto o número de docentes mais velhos cresce, a presença de profissionais jovens na carreira vem diminuindo.

Entre 2015 e 2023, o total de professores que atuavam no ensino médio aumentou 6,6%. O cenário muda, porém, quando analisadas as faixas etárias. Entre os docentes de até 24 anos, houve uma redução de 31,1%, passando de aproximadamente 17 mil para 12 mil profissionais. No mesmo período, a quantidade de professores com 60 anos ou mais cresceu 104,5%, de 18 mil para 37 mil.

Para o Semesp, o cenário aumenta a preocupação com a chamada renovação docente. A proximidade da aposentadoria de uma parcela significativa dos profissionais exige a entrada de novas gerações na carreira, mas fatores como remuneração, condições de trabalho e falta de perspectiva têm dificultado essa renovação.

Segundo dados da RAIS, em 2025, professores do ensino médio recebiam, em média, cerca de R$ 6,5 mil por mês. O valor representa aproximadamente 20% menos que a renda média dos trabalhadores com ensino superior completo, de R$ 8,1 mil.

A carga de trabalho também aparece como um dos obstáculos. Dados do Inep indicam que 41,4% dos professores do ensino médio, em 2025, atendiam entre 50 e 400 alunos, atuavam em dois turnos e em uma ou duas escolas, além de trabalharem em diferentes etapas de ensino.

Disciplinas enfrentam maior dificuldade de renovação

O estudo criou a Taxa de Renovação Docente, que compara o número de professores com até 24 anos com aqueles que têm 60 anos ou mais. Quanto menor o índice, maior é a distância entre a entrada de jovens e a permanência de profissionais próximos da aposentadoria.

Entre 2015 e 2023, algumas das maiores quedas foram registradas em Química, cuja taxa passou de 1,77 para 0,42; Educação Física, de 1,59 para 0,40; Física, de 1,53 para 0,40; e Biologia, de 1,45 para 0,37.

As áreas de Humanidades também apresentam índices baixos. No levantamento mais recente, a taxa foi de 0,216 em Geografia, 0,234 em História, 0,240 em Língua Portuguesa, 0,263 em Sociologia, 0,274 em Filosofia e 0,278 em Artes.

A projeção do Semesp indica que, se a tendência continuar, a taxa média de renovação poderá chegar a 0,17 em 2040. Nesse cenário, seriam cerca de 10,7 mil professores jovens para aproximadamente 61,9 mil docentes com 60 anos ou mais.

O levantamento aponta, portanto, que o desafio não está apenas em formar professores, mas também em tornar a carreira suficientemente atrativa para que novos profissionais ingressem e permaneçam nas salas de aula.

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