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Dez governadores, cinco partidos e duas frases que podem custar votos: a semana que pode decidir a eleição para Flávio Bolsonaro

Enquanto a campanha de Lula gastou os primeiros dias trocando de comando, o candidato do PL costurou apoios em série. Mas dois tropeços verbais deram munição ao adversário
Caiado declara apoio a Flávio Bolsonaro (Foto: reprodução)

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na frente, com mais de 56 milhões de votos e 47,03% dos válidos, contra 53,8 milhões e 45,16% de Lula. Na primeira semana do segundo turno, usou a vantagem para fazer o que campanha competitiva precisa fazer: fechar alianças.

O saldo é expressivo. Dez dos 20 governadores eleitos no primeiro turno declararam apoio a ele, contra cinco de Lula. Os partidos que ficaram neutros no primeiro turno vieram em sequência: União Brasil e PP, que formam federação, em 6 de outubro; Novo e Republicanos, no dia 7; Podemos, no dia 8. O MDB, que não fechou posição nacional, teve ao menos 17 diretórios acertados com o candidato, entre eles os de São Paulo, Minas, Rio, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e o ex-presidente Michel Temer também declarou apoio. No PSDB, a maioria dos diretórios consultados é favorável, embora o partido ainda não tenha oficializado a decisão.

Entre os ex-candidatos à Presidência, vieram Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Clariana Barão. ACM Neto prometeu trabalhar pela eleição de Flávio na Bahia, o que mexe com o Nordeste, a base mais sólida de Lula. E veio Augusto Cury, o terceiro colocado, com 3,4 milhões de votos. Cury havia dito que ficaria em silêncio, mas mudou de posição depois de uma conversa longa com Flávio e da assinatura de um termo público com oito compromissos, entre eles o fim da reeleição, a ampliação da telemedicina, a valorização dos professores, o crédito a microempresas e a pacificação nacional. O apoio dele é um voto de confiança condicionado, sem cargos e sem cheque em branco, e Flávio respondeu no mesmo tom, dizendo que nenhum apoio é carta branca. Um apoio com regras escritas vale mais do que um gesto de ocasião.

Politicamente, o recado é claro. Um candidato que chegou ao segundo turno com fama de isolado entre as siglas de centro-direita saiu da semana com um arco de alianças que cobre estados e máquinas partidárias que Lula não tem. E fez isso enquanto a campanha adversária, como comentei em outro artigo, gastou os primeiros dias discutindo marqueteiros e comando.

Mas a semana teve dois erros do próprio candidato.

O primeiro foi a fala em Goiânia, em 6 de outubro, de que usaria a maioria no Congresso para “mudar a Constituição e redemocratizar o país”. Para o eleitor bolsonarista, a frase passa. Para o eleitor independente, que decide o segundo turno, ela soa como alerta. A repercussão negativa obrigou Flávio a explicar, no dia seguinte, que falava de PECs sobre o Judiciário, a maioridade penal e o fim da reeleição, e que tem “total respeito à Constituição”. O fim da reeleição, aliás, é o primeiro compromisso do termo com Cury, o que mostra que a agenda tem defesa institucional. Mas quem precisa explicar em 24 horas o que quis dizer já perdeu parte da disputa: a imagem que ficou foi a da frase, e não a da correção.

O segundo foi a abordagem do fim da escala 6×1. Flávio classificou a discussão de “oportunista” e evitou declarar se votará contra ou a favor da PEC, enquanto Lula transformou o tema em bandeira e passou a cobrá-lo publicamente. O assunto é popular, atinge diretamente o trabalhador e não admite ambiguidade. Chamar de oportunismo uma pauta que o eleitor quer ver resolvida entrega ao adversário um argumento pronto.

Esses dois tropeços ajudam a explicar o vídeo que circula nas redes. Na legenda, o publicitário Duda Lima, marqueteiro de Flávio, alerta que Lula inventa fake news para gerar medo e enganar a população A tese é coerente com a ação que a campanha de Flávio levou ao TSE em 8 de outubro, que aponta uma rede de perfis pró-Lula com 218 publicações falsas ou descontextualizadas. Estrategicamente, é uma boa jogada: vacinar o eleitor antes que o ataque chegue. Mas o escudo só funciona se o candidato não fornecer a munição. Cada frase ambígua do próprio Flávio, como a da Constituição e a da 6×1, alimenta justamente a narrativa de medo que ele tenta desmontar.

O quadro, por ora, é favorável: Datafolha 52% a 48% e PoderData 53% a 47%. Mas faltam menos de três semanas, e uma eleição apertada raramente é perdida por falta de aliados. É perdida por frases.

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