Nos últimos meses, uma imagem que parecia ter ficado para trás voltou a ocupar espaço entre celebridades, passarelas e redes sociais: a da mulher extremamente magra como símbolo de beleza, elegância e sucesso. Atrizes de Hollywood e cantoras pop passaram a chamar atenção não apenas pelo trabalho, mas pelas mudanças visíveis em seus corpos.
O fenômeno tem provocado estranheza e reacendido um velho debate: quando a busca pelo corpo ideal deixa de ser uma questão estética e passa a representar um risco à saúde física e mental das mulheres?
O retorno dessa estética não é apenas uma questão de moda. O problema é que, quando imagens de corpos extremamente magros passam a ser apresentadas repetidamente como referência de beleza, elas podem alimentar comparações e uma sensação de inadequação em quem está do outro lado da tela gerando sentimentos de frustração.

A preocupação também encontra respaldo na ciência. Uma revisão que foi publicada em 2026 encontrou associação entre o uso das redes sociais, preocupações com a imagem corporal e comportamentos alimentares desordenados, especialmente quando há internalização de padrões estéticos.
No Brasil
A cultura da aparência também ocupa um espaço importante na vida cotidiana, essa tendência chega pelas mesmas telas, vitrines e referências internacionais. O risco é que a busca por um corpo cada vez menor seja confundida com saúde, disciplina ou sucesso.
Para muitas mulheres, o resultado pode ser justamente o contrário: mais comparação, culpa, insatisfação e perda da autoestima. Talvez seja hora de questionar por que, depois de tantos avanços na discussão sobre diversidade corporal, a mulher parece novamente ser convidada a desaparecer dentro da própria roupa.
O brilho feminino não deveria ser medido pelo número da balança, pelo tamanho da cintura ou pela capacidade de ocupar cada vez menos espaço. Nenhum padrão estético deveria custar a saúde, a autoestima e o bem-estar de uma mulher.