Ronaldo Caiado (PSD) terminou a eleição presidencial em quinto lugar, com 2,18% dos votos. Mas a política de Goiás não se mede só pela disputa nacional. Em casa, o resultado foi bem diferente.
O principal feito é ter garantido a continuidade do projeto que lidera. Daniel Vilela (MDB), o sucessor que ele escolheu para o Palácio das Esmeraldas, foi reeleito governador no primeiro turno, sem precisar de segunda rodada. E Gracinha Caiado foi uma das duas eleitas para o Senado por Goiás, ao lado de Gustavo Gayer. Poucos políticos chegam ao fim de um ciclo com o sucessor eleito e a família com mandato federal. Caiado chegou.
O segundo movimento veio logo depois do primeiro turno. Em 6 de outubro, dois dias após o resultado, Caiado anunciou apoio a Flávio Bolsonaro em um ato em Goiânia, com a presença de Daniel Vilela e do governador Tarcísio de Freitas. Foi um gesto de quem sabe que, com os votos que tem, pode pesar no desfecho. No ato, apoiadores puxaram o coro de “ministro”, e aliados apontam Agricultura e Segurança Pública como pastas possíveis em um governo Flávio. O candidato desconversou e disse que o apoio é “mais do que política, é sentimental”. Ainda assim, quem acompanha o jogo sabe que apoio decisivo no segundo turno costuma virar espaço no governo.
Do outro lado, o contraste é visível. Marconi Perillo, que governou Goiás por quatro mandatos e queria voltar ao Palácio, terminou em quarto lugar, com 8,69% dos votos, atrás de Daniel Vilela, Wilder Morais e do petista Luis Cesar Bueno. Para o PSDB, a noite foi ainda pior: pela primeira vez desde 1994, o partido não elegeu nenhum deputado federal em Goiás. Quem foi o grande rival de Caiado nas últimas décadas sai da eleição com a legenda sem presença na Câmara e sem os “puxadores de votos” que se afastaram durante a campanha.
O saldo, portanto, é de um político que perdeu a disputa nacional, mas ganhou onde mais importa para a política estadual: manteve o poder em Goiás, ampliou a influência no Senado e se reposicionou para o segundo turno. Se Flávio vencer em 25 de outubro, o ex-governador chega a Brasília em posição privilegiada.