O Rock in Rio viveu nesta sexta-feira (11) uma das cenas mais marcantes de sua edição de 2026. Pela primeira vez em 41 anos, o festival dedicou um dia do Palco Mundo quase exclusivamente ao K-pop, e a resposta do público mostrou que o gênero sul-coreano deixou há muito tempo de ocupar apenas um espaço de nicho entre os fãs de música.
A programação reuniu NEXZ, Hwasa e Stray Kids, atração responsável por encerrar a noite. Desde cedo, fãs do grupo sul-coreano começaram a ocupar a região próxima ao Palco Mundo, em busca das melhores posições para acompanhar a apresentação. A concentração aumentou ao longo do dia e chamou a atenção até mesmo da organização do festival.
Antes do show de Hwasa, os telões do Palco Mundo exibiram um alerta para que o público se afastasse alguns passos da grade. A produção informou que a apresentação só poderia começar quando houvesse espaço suficiente para garantir a segurança das pessoas. O pedido também foi reforçado pelo sistema de som e permaneceu por cerca de 15 a 20 minutos.
Uma nova geração na Cidade do Rock
Mais do que uma mudança na programação, a noite de K-pop também representou a chegada de uma nova geração ao Rock in Rio. Boa parte do público era formada por jovens, crianças e adolescentes acompanhados pelos pais, muitos deles vivendo a experiência de um grande festival pela primeira vez.
O fenômeno também alterou a dinâmica da Cidade do Rock. Enquanto o Palco Mundo concentrava uma multidão para acompanhar os artistas sul-coreanos, outros espaços do festival registravam público menor durante a apresentação do Stray Kids.
A força desse público não surgiu de uma hora para outra. O Stray Kids, formado por Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, Han, Felix, Seungmin e I.N, acumula mais de 30 milhões de álbuns vendidos e é apontado pelo próprio Rock in Rio como um dos principais nomes da indústria do K-pop. O grupo também ocupa posição de destaque na Billboard 200.
Do nicho ao Palco Mundo
A presença do K-pop no Rock in Rio representa uma transformação no próprio perfil do festival. Em 2026, o gênero ganhou um dia próprio e passou a dividir o principal palco do evento com nomes de alcance internacional de diferentes estilos.
A escolha também acompanha uma mudança no comportamento do público brasileiro. Os fãs de K-pop desenvolveram uma cultura própria de acompanhamento dos artistas, com comunidades organizadas, produtos oficiais, lightsticks e forte mobilização para shows e eventos. O Rock in Rio, inclusive, autorizou pela primeira vez o uso dos lightsticks na Cidade do Rock, reconhecendo um dos principais símbolos da relação entre os artistas de K-pop e seus fãs.
E a cena diante do Palco Mundo deixou uma mensagem clara: o público do K-pop não chegou ao Rock in Rio apenas para assistir a um show. Chegou para ocupar espaço.