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Enchentes no Nepal e no Tibete deixam ao menos 160 mortos e centenas de desaparecidos

Desprendimento de parte de uma geleira pode ter provocado avalanche de gelo e rochas na região do Himalaia
Destruição na região do Himalaia localizada entre o Nepal e o Tibete, na China (Foto: Foto : Prakash Mathema / AFP)

Uma sequência de enchentes repentinas e deslizamentos provocou destruição na região do Himalaia localizada entre o Nepal e o Tibete, na China, nesta quarta-feira (26). O desastre atingiu vilarejos, destruiu pontes e estradas e deixou centenas de moradores, trabalhadores e turistas desaparecidos.

O balanço mais recente divulgado pela Associated Press apontava ao menos 160 mortes, sendo 157 no Nepal e três no lado tibetano da fronteira. Como as equipes ainda tentam chegar às comunidades isoladas, as autoridades alertam que o número de vítimas poderá aumentar.

As áreas mais afetadas estão nos distritos nepaleses de Rasuwa e Nuwakot e no condado de Gyirong, no Tibete. A região abriga uma importante passagem terrestre entre Nepal e China e faz parte de uma rota utilizada por turistas e peregrinos que seguem em direção ao Monte Kailash.

O que se sabe até agora

A tragédia começou durante a manhã, quando uma forte corrente de água, lama, pedras, gelo e sedimentos avançou pelos vales da região. A força da enxurrada atingiu comunidades próximas aos rios Lhende, Bhote Koshi e Trishuli.

Vilarejos foram arrastados e casas, veículos, pontes e rodovias desapareceram sob a água. Redes de comunicação e energia também foram interrompidas. Instalações de projetos hidrelétricos localizados nas montanhas estão entre as estruturas atingidas.

Centenas de estrangeiros estão entre os desaparecidos. Há cidadãos da Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Coreia do Sul, Malásia, África do Sul, Austrália e Holanda sem localização confirmada. Muitos viajavam pela rota de peregrinação em direção ao Monte Kailash.

Os balanços mudaram várias vezes ao longo do dia. Uma atualização anterior da Reuters registrava 95 corpos recuperados e 484 viajantes desaparecidos. A diferença entre os números ocorre porque as autoridades continuam identificando vítimas e revisando as listas de turistas, moradores e trabalhadores que estavam na região.

Desprendimento de geleira é investigado

A causa exata da tragédia ainda não foi confirmada. Imagens de satélite analisadas por especialistas indicam que uma parte da extremidade de uma geleira se desprendeu a aproximadamente 5.200 metros de altitude.

O bloco teria despencado cerca de 1.200 metros até o fundo do vale, arrastando gelo, rochas e outros materiais. O impacto pode ter produzido uma avalanche e lançado uma grande quantidade de água e sedimentos nos rios da região.

Autoridades nepalesas também investigam se um terremoto registrado poucos minutos antes contribuiu para o desprendimento. Entretanto, ainda não existem elementos suficientes para afirmar que o tremor provocou o desastre.

Especialistas consultados pela Reuters também observaram uma redução expressiva da neve sobre as geleiras nas 24 horas anteriores. Temperaturas elevadas podem ter acelerado o derretimento, mas a possível influência das mudanças climáticas ainda deverá ser estudada.

A corrente provocada pela avalanche percorreu os sistemas dos rios Bhote Koshi e Trishuli. Em um ponto localizado rio abaixo, o nível da água teria aumentado até nove metros em aproximadamente 30 minutos.

Buscas enfrentam dificuldades

Militares, policiais e equipes de emergência trabalham para localizar sobreviventes. A China mobilizou mais de 570 socorristas para atender o lado tibetano, enquanto Nepal e países vizinhos participam das operações de resgate e assistência.

A quantidade de lama, os danos nas estradas e a interrupção das comunicações dificultam a chegada das equipes. Em algumas áreas, os helicópteros não conseguiram pousar devido ao nível elevado dos rios e às condições instáveis do terreno.

Índia e Coreia do Sul anunciaram apoio às operações. O governo nepalês também solicitou auxílio internacional diante da quantidade de turistas estrangeiros que estavam na área atingida.

Possibilidade de nova enchente

O perigo ainda não passou. As autoridades identificaram um bloqueio formado por gelo, pedras e lama na parte superior do rio Lhende. Caso a barreira se rompa, uma segunda onda de inundação poderá atingir as regiões mais baixas.

Moradores das margens dos rios estão sendo retirados preventivamente e orientados a permanecer em locais elevados. Alertas também foram emitidos nos estados indianos de Bihar e Uttar Pradesh, que podem ser alcançados pela elevação dos rios que descem do Himalaia.

Até a última consulta, não havia um comunicado oficial publicado pelo Itamaraty confirmando a presença de brasileiros entre mortos ou desaparecidos. As informações sobre vítimas e áreas afetadas continuam sendo atualizadas pelas autoridades.

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