Seguir em frente não significou deixar para trás. Vinte e oito anos depois da tragédia dos romeiros, a saudade continua fazendo parte da vida de quem perdeu familiares e amigos no acidente que marcou para sempre a história de Anápolis. Para Tanismeire, filha de Gracinda e tia de Karoline, o tempo trouxe novas formas de conviver com a ausência, mas não apagou as lembranças.
“Não foi fácil. Foram dias difíceis, mas, com a graça de Deus, seguimos em frente, lembrando de todos que foram e ajudando os que ficaram”, conta.

Gracinda era uma das responsáveis pela organização da viagem. Depois da tragédia, além da dor pela perda, a família precisou lidar com um sentimento ainda mais difícil: a impressão de que poderia ser responsabilizada pelo que aconteceu.
Tanismeire lembra que, em alguns momentos, tinha a sensação de que os olhares eram de julgamento. “Ela era a organizadora. Não foi fácil, pois às vezes achava que as pessoas olhavam para nós culpando ela”, relembra.
Para a família, no entanto, Gracinda era muito mais do que o papel que ocupava naquela viagem. Era uma mulher que gostava de ajudar, cuidar das pessoas e estar presente na comunidade. Por isso, Tanismeire acredita que, se tivesse sobrevivido, a mãe também teria enfrentado dificuldades para lidar com o que aconteceu. “Se ela tivesse sobrevivido, não ficaria bem, pois adorava ajudar as pessoas”, afirma.
É justamente nas marcas que Gracinda deixou que a família encontrou uma maneira de mantê-la presente. As lembranças construídas dentro de casa e na comunidade passaram a ocupar um espaço importante na história de quem ficou. “A família dela sobreviveu com as lembranças boas que ela cultivou na sua família e na comunidade”, diz Tanismeire.
O que ficou depois da tragédia
Quando olha para os 28 anos que se passaram, Tanismeire não fala apenas sobre aquilo que foi perdido. Ela também carrega os ensinamentos que permaneceram. Entre eles estão as lembranças das pessoas que partiram, o cuidado com aqueles que sobreviveram e uma atenção maior às viagens e aos riscos que podem existir no caminho. “Das pessoas boas que foram, das pessoas que ficaram, do cuidado que temos que ter em viagens”, resume.
A fé também aparece como uma forma de compreender uma perda que, mesmo depois de quase três décadas, não encontra explicação simples. Para Tanismeire, uma das maneiras encontradas para seguir foi acreditar que Deus acolheu aquelas pessoas. “Deus quer as pessoas boas perto dele”, afirma.
A frase resume também a maneira como a família escolheu lembrar de Gracinda: não apenas pela tragédia que interrompeu sua história, mas pelas relações que construiu enquanto esteve aqui.
Entre as pessoas que Tanismeire carrega na memória estão a sobrinha, Caroline Costa Silva, e a cunhada, Margareth Pereira Costa da Silva, que também perderam a vida no acidente e permanecem presentes nas lembranças da família.