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Tragédia dos romeiros: 28 anos depois, a dor mudou de forma, mas as memórias permanecem vivas

Após perder a mãe e a filha no acidente, uma sobrevivente transforma a saudade em fé, memória e amor para seguir em frente
Loyane Fontes Ribeiro, faleceu no acidente aos 6 anos

Mais um ano se completa desde uma das maiores tragédias envolvendo romeiros do país. Para Anápolis, a data carrega o peso da dor e da saudade de familiares e amigos que perderam entes queridos naquele que ficou marcado como um dos episódios mais tristes da história da cidade. No dia 8 de setembro, completam-se 28 anos do fatídico acidente ocorrido em São Paulo, uma tragédia de grandes proporções que, quase três décadas depois, ainda permanece viva na memória de quem viveu aquele momento.

Entre as histórias marcadas pela tragédia está a de Andrea, que perdeu a mãe, Leontina, e a filha, Loyane, de apenas 6 anos. Em entrevista exclusiva ao Diário da Redação, ela relembrou os anos de saudade e a difícil tarefa de aprender a viver com a ausência. “Durante todos esses anos tem sido muito difícil. Há dias melhores e dias em que a saudade aperta”, contou. Para Andrea, o tempo não apaga a dor, apenas ensina a conviver com ela. “A gente aprende a viver com a ausência das pessoas queridas que partiram para o céu, mas não a se conformar. Eu perdi as duas pessoas mais importantes para mim: mamãe e minha filha Loyane, que tinha apenas 6 anos de idade e uma vida toda pela frente.”

Quando a saudade aperta, ela recorre às fotografias. As imagens da filha, sua primeira filha e a primeira neta de seus pais, ainda provocam lágrimas. Com a proximidade do aniversário da tragédia, as lembranças daquele dia também voltam com força. “Quando vai se aproximando a data do acidente, eu revivo tudo de novo. Não tem como esquecer um acidente tão terrível e de tamanho sofrimento.”

Filha: Loyane Fontes Ribeiro
25/01/1992
08/09/1998

Apesar da dor, ela diz nunca ter questionado a Deus sobre o motivo da tragédia. “Sei que temos nossos planos e os de Deus são outros.” Para ela, porém, nenhuma experiência se compara à de uma mãe sepultar um filho. “Não é fácil para uma mãe enterrar seu filho. Não existe dor igual a essa. Realmente, é contra a natureza.”

Sobre Loyane, as palavras também são carregadas de carinho. “Ela cativava qualquer um. Era dócil, inteligente e muito esperta. Era o xodó do pai.” A menina também teve pouco tempo ao lado do irmão Igor, que tinha apenas 9 meses quando o acidente aconteceu e, hoje, sente a ausência de alguém que não teve a oportunidade de conhecer de verdade.

Mãe: Leontina Cândida Fontes
18/04/1950
08/09/1998

As lembranças que guarda das duas são, sobretudo, de amor. Andrea descreve a mãe como uma mulher de muita fé, guerreira, forte e o esteio da família, responsável por transmitir aos filhos princípios que ela própria procura manter vivos dentro de sua casa.

Força para continuar

Andrea encontrou forças na fé, na família e, principalmente, no esposo, Écio. Ela conta que houve momentos em que chegou a pensar que não suportaria viver mais. “Pedi muita força a Deus e a Nossa Senhora para que soltassem minhas mãos e eu não caísse em um abismo.”

A comunidade São Pedro e São Paulo, os amigos, os familiares e o filho Igor também foram fundamentais naquele período. Mas Écio, segundo ela, teve um papel especial. “Se teve uma pessoa que me deu força para tudo isso, foi meu esposo Écio.” Andrea conta que ele escondia o próprio sofrimento para transmitir força a ela. “Ele chorava quando eu ia dormir, para que eu não o visse chorando, porque precisava passar suas forças para mim.” A experiência acabou se transformando também em testemunho para outras pessoas. “As pessoas chegam até nós e falam que não sabem como conseguimos, e nossa resposta é a fé.”

É essa fé, segundo Andrea, que permite atravessar o sofrimento sem deixar que as pessoas amadas sejam esquecidas. “É a fé que nos faz atravessar o deserto e carregar nossa cruz, nossos sofrimentos com mais leveza, e nunca, jamais, deixar cair no esquecimento aqueles que tanto amamos, que hoje moram no céu e intercedem por nós aqui.”

O testemunho

Quase três décadas depois da tragédia, a família também encontrou novos motivos para celebrar. Igor se casou há quase dois anos e, nos próximos dias, Andrea e Écio aguardam o nascimento do primeiro neto, Miguel. “Desde o momento em que ficamos sabendo que iríamos ser avós, foi um choreiro danado”, conta. A chegada do menino representa, para eles, uma nova etapa. “Nossas vidas começaram a se renovar a cada minuto com a vinda do nosso Miguel.”

Entre a saudade daqueles que partiram e a alegria por aqueles que chegam, Andrea segue carregando as memórias de quem ama. “Agradeço a Deus por ser filha da Leontina e mãe da pequena Loyane.” E, diante de uma saudade que atravessa 28 anos, ela guarda uma reflexão tão dolorosa quanto humana: “Às vezes chego a pensar que a melhor medicina contra a saudade é a falta de memória.”

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