A morte de uma criança de cinco anos, encontrada neste domingo (16) dentro de um tanque de dejetos de suínos, em uma propriedade rural de Rio Verde, no Sudoeste de Goiás, chama atenção para um risco conhecido por muitas famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA): o desaparecimento repentino e a exposição a situações de perigo.
O menino, que tinha diagnóstico de TEA, havia desaparecido na noite de sábado (15). Segundo o Corpo de Bombeiros, as buscas começaram por volta das 19h04 e contaram com equipes em terra, drone com câmera térmica, Polícia Militar e equipamentos de salvamento. Por volta das 5h28 deste domingo, a criança foi localizada dentro de um dos tanques da propriedade.
A Polícia Civil informou que, inicialmente, não havia indícios de crime. O corpo foi encaminhado para os procedimentos da Polícia Técnico-Científica. As circunstâncias da morte ainda serão esclarecidas pelas autoridades.
O caso reacende a discussão sobre segurança e prevenção de acidentes envolvendo crianças autistas que apresentam comportamento de fuga ou afastamento repentino.
Prevenção começa antes do desaparecimento
Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), cerca de metade das crianças e jovens com TEA já apresentou comportamento de fuga ou afastamento. Isso pode acontecer por curiosidade, busca por um local de interesse ou tentativa de escapar de uma situação estressante. Algumas crianças também podem ter dificuldade para identificar perigos, responder ao próprio nome ou informar onde estão.
Entre os principais riscos estão acidentes de trânsito e afogamentos. O perigo pode estar em piscinas, rios, lagos, açudes e até reservatórios. Segundo a Academia Americana de Pediatria, o risco de afogamento fatal entre crianças e adolescentes com TEA é cerca de três vezes maior do que entre aqueles sem TEA.
A prevenção deve começar antes de um possível desaparecimento. Famílias que identificam esse risco podem reforçar a segurança de portas, portões e piscinas, manter fotos recentes da criança e informar familiares, escola e cuidadores.
Em caso de desaparecimento, as autoridades devem ser acionadas imediatamente. Também é importante informar que a criança é autista e fornecer detalhes que possam ajudar nas buscas, como características físicas, roupas usadas, locais de interesse, histórico de afastamento e uma fotografia recente.
Uma discussão que vai além da tragédia
O caso de Rio Verde chama atenção para os riscos enfrentados por algumas crianças autistas, que podem se afastar rapidamente e não reconhecer determinadas situações de perigo. A tragédia reforça a importância da informação e da prevenção, além da preparação de famílias, escolas, cuidadores e comunidades para agir rapidamente em situações de desaparecimento.