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Goiás amplia ações de prevenção e diagnóstico do câncer de mama no Outubro Rosa

Programa Goiás Todo Rosa já realizou mais de 1,1 mil testes genéticos pelo SUS em 2026, com 195 resultados que apontaram alterações relacionadas aos cânceres de mama e ovário
Eva Pissoloto optou pela retirada preventiva dos ovários e das trompas após exame identificar alteração genética (Foto: Marco Monteiro)

Durante o Outubro Rosa, o Governo de Goiás reforça as ações voltadas à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento de mulheres com câncer de mama. Por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), o Programa Goiás Todo Rosa articula ações de rastreamento e atendimento em diferentes municípios, com foco na ampliação do acesso aos serviços de saúde.

Os dados da Produção Ambulatorial do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam que, ao longo de 2025, foram registrados 100.379 procedimentos de mamografia e mamografia bilateral para rastreamento em Goiás. Entre janeiro e julho deste ano, outros 55.173 exames foram contabilizados.

A mamografia é uma das principais ferramentas para identificar alterações nas mamas antes mesmo do surgimento de sintomas. Quando alguma suspeita é encontrada, a paciente pode ser encaminhada para exames complementares, avaliação especializada e, quando necessário, tratamento.

O acompanhamento não se limita à realização do exame. A proposta do programa é garantir que a mulher tenha acesso às diferentes etapas do cuidado, desde a identificação de possíveis alterações até o acompanhamento após o diagnóstico.

Em Goiás, entretanto, o número de mortes por câncer de mama apresentou aumento. A taxa de mortalidade entre mulheres passou de 14,6 óbitos a cada 100 mil, em 2024, para 16,6 por 100 mil em 2025.

Para a subsecretária de Políticas e Ações em Saúde, Amanda Melo, o trabalho de prevenção precisa permanecer durante todo o ano. Segundo ela, o acesso à informação, ao rastreamento e ao atendimento adequado contribui para que a doença seja identificada em estágios iniciais e para que o tratamento seja iniciado de maneira adequada.

Testes genéticos identificam mulheres com maior risco

Além do rastreamento por mamografia, o Goiás Todo Rosa disponibiliza testes genéticos para mulheres que apresentam indicação clínica e podem ter maior risco de desenvolver câncer de mama ou de ovário.

Realizados gratuitamente pelo SUS, os exames investigam alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, que estão associados ao aumento da predisposição para esses tipos de câncer. O serviço é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Saúde e a Universidade Federal de Goiás (UFG).

A entrada no programa ocorre, inicialmente, pela Atenção Primária à Saúde. Após a avaliação da paciente e a identificação da necessidade do exame, o caso é encaminhado pela regulação estadual. A coleta pode ser feita por meio de sangue ou saliva, e o material é analisado pelo Centro de Genética Humana da UFG.

Até setembro de 2026, foram realizados 1.153 testes genéticos pelo programa. Em 195 exames foram encontradas alterações associadas aos cânceres de mama e de ovário. As mulheres que apresentam resultados que exigem acompanhamento são encaminhadas para atendimento especializado pela rede pública.

Resultado pode orientar medidas preventivas

A identificação de uma alteração genética pode auxiliar a equipe médica na definição de estratégias de acompanhamento e prevenção. Dependendo do caso, dos antecedentes familiares e da avaliação clínica, procedimentos preventivos podem ser indicados.

Eva Pissoloto (Foto: Marco Monteiro)

É o caso de Eva Pissoloto, de 36 anos, moradora de Goiânia. Ela estava em tratamento contra o câncer de mama quando recebeu a indicação para realizar a investigação genética. O exame apontou uma alteração relacionada à doença.

Diante do resultado e após avaliação com a equipe médica, Eva decidiu realizar a retirada preventiva dos ovários e das trompas. Ela conta que possui histórico familiar de câncer e atualmente também passa por tratamento quimioterápico.

“Quando surgiu a possibilidade de fazer o exame, o resultado foi positivo para a alteração genética. Por precaução, optei pela cirurgia”, relata.

O caso mostra como a investigação genética pode contribuir para o planejamento individualizado do cuidado, especialmente entre mulheres que apresentam fatores de risco para câncer de mama e ovário.

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