Por muito tempo, o jiu-jitsu foi associado exclusivamente ao universo masculino, porém, cada vez mais mulheres ocupam os tatames, mostrando que esse também é um espaço de fortalecimento físico, emocional e social. Elas buscam no esporte, qualidade de vida, autoestima e defesa pessoal.
A professora e empresária Savana Frances, que é faixa preta na modalidade, explica que considera esse espaço uma conquista diária. Segundo ela, mesmo após anos de prática, uma mulher precisa provar diariamente que esse lugar também é dela. “O jiu-jitsu se tornou minha ferramenta de evolução pessoal em todos os aspectos, tanto físicos quanto mentais. E sim, acredito que a melhor forma de mudar a própria realidade é por meio do autoconhecimento, e o jiu proporciona isso, ele mostra o seu melhor e o seu pior lado. E, se você consegue enfrentar os seus medos mais profundos, consegue enfrentar qualquer coisa.”
Embora muitas pessoas pratiquem o jiu-jitsu por hobby, as taxas de violência contra a mulher só aumentam, e dessa forma, muitas mulheres procuram inicialmente o jiu-jitsu como ferramenta de defesa pessoal. No entanto, a Savana explica que esse motivo, por si só, não faz com que ela permaneça no esporte. “A modalidade contribui diretamente para que ela se sinta mais segura e confiante, porque sentir-se segura é um exercício. É um conjunto de autoconfiança, autoestima, preparação e conhecimento. Então, quanto mais ela praticar esses ‘exercícios’, mais segura e confiante ela se sentirá.”
O jiu-jitsu vem atraindo desde crianças até adolescentes, principalmente porque muitos pais procuram uma atividade física almejando a saúde por meio do ganho de força, flexibilidade e coordenação. Mas além dos benefícios físicos, a modalidade favorece o desenvolvimento mental e emocional, ajudando a reduzir o estresse, a ansiedade, aumentando a autoconfiança e a disciplina. Por isso é fundamental acolher meninas e mulheres que tem interesse pelo esporte, “felizmente, existem muitas mulheres que acolhem, incentivam e abrem caminho para outras. Mas ainda vemos situações em que a falta de apoio entre mulheres acaba afastando novas praticantes do tatame. Não julgo isso, porque ‘saímos’ de uma bolha em que existe a crença de que mulheres são ‘concorrentes’ e ‘rivais’. Quebrar essa mentalidade leva tempo, e hoje vejo como responsabilidade de quem já entendeu isso passar essa visão adiante.”
Ao questionar sobre o que ainda precisa mudar para que mais mulheres ocupem os tatames e se sintam pertencentes nesse esporte, Savana afirma que “além de manter as mulheres que já estão no esporte ativas, precisamos que as mulheres sejam mais empáticas umas com as outras”.