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Por que um candidato pode ter muitos votos e não ser eleito? Entenda o sistema proporcional

Regra usada na eleição para deputados faz com que a votação individual não seja o único fator para definir quem ocupa uma cadeira na Assembleia
proporcional, o voto dado a um candidato também ajuda a compor a votação do partido ou federação (Foto: reprodução)

Quem acompanha a apuração das eleições pode se deparar com uma situação que parece contraditória: um candidato recebe milhares de votos, mas não consegue uma vaga, enquanto outro, com votação menor, é eleito. A explicação está no sistema proporcional, utilizado para escolher deputados estaduais e federais.

Diferentemente da eleição para governador, em que vence o candidato que obtém a maioria dos votos válidos, na disputa proporcional as cadeiras são distribuídas inicialmente entre partidos e federações, de acordo com a votação que cada um recebeu. Em Goiás, foram 41 vagas para deputado estadual em 2026.

O voto não conta apenas para o candidato

Na eleição proporcional, o voto dado a um candidato também ajuda a compor a votação do partido ou federação. É essa soma que participa dos cálculos utilizados para definir quantas cadeiras cada legenda poderá ocupar.

O primeiro cálculo é o quociente eleitoral, obtido a partir da divisão dos votos válidos pelo número de vagas em disputa. Depois, é calculado o quociente partidário, que ajuda a determinar quantas cadeiras cada partido ou federação poderá preencher. As vagas que permanecem são distribuídas pelas regras das chamadas sobras eleitorais.

Depois que as cadeiras são destinadas às legendas, entram em cena os candidatos mais votados dentro de cada partido ou federação, respeitadas as exigências mínimas de votação previstas na legislação.

E como isso aparece em Anápolis?

O resultado deste ano ajuda a visualizar essa diferença. Candidatos conhecidos do eleitorado anapolino tiveram milhares de votos, mas não conseguiram uma cadeira na Assembleia Legislativa.

É o caso de Vivian Naves e Coronel Adailton, que buscavam a reeleição e ficaram fora da próxima legislatura. A votação individual, portanto, não pode ser analisada isoladamente: o desempenho da legenda e a distribuição das cadeiras também entram na conta.

Por outro lado, candidatos que conseguiram uma vaga passaram a ocupar as cadeiras destinadas aos seus respectivos partidos ou federações de acordo com as regras do sistema proporcional.

Por que existe esse modelo?

A lógica do sistema proporcional é fazer com que a composição do Legislativo também reflita a força eleitoral dos partidos e federações, e não apenas uma disputa individual entre os candidatos mais votados.

Por isso, na hora de analisar o resultado para deputado, não basta olhar quem teve mais votos. É preciso observar a votação das legendas, os cálculos dos quocientes e a distribuição das vagas restantes.

É justamente essa combinação que explica situações em que um candidato com votação expressiva não é eleito e outro, com menos votos individuais, consegue uma cadeira.

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