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Morador de Anápolis perde R$ 200 mil em golpe de falsos funcionários de banco; entenda como funciona

Quadrilha usava ligações mascaradas e técnicas de engenharia social para convencer vítimas a fornecer informações e permitir movimentações bancárias
A vítima acredita que está falando com o próprio banco (Foto: reprodução)

Uma vítima de Anápolis perdeu cerca de R$ 200 mil após ser enganada por uma associação criminosa especializada em fraudes eletrônicas. O caso veio à tona nesta quarta-feira (26), durante uma operação da Polícia Civil de Goiás que mobilizou aproximadamente 50 agentes do Grupo Especial de Investigações Criminais (GEIC) de Anápolis. Ao todo, foram cumpridas cerca de 60 medidas cautelares em seis cidades de Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

De acordo com as investigações, os criminosos utilizavam engenharia social, estratégia que explora a confiança e o comportamento da vítima, além do chamado spoofing, técnica que pode fazer uma ligação aparecer para o usuário como se tivesse sido originada de um número legítimo. Dessa forma, os suspeitos se apresentavam como funcionários de instituições bancárias e conseguiam convencer os correntistas a fornecer informações ou realizar procedimentos que facilitavam o acesso às contas.

Depois de obter acesso às contas, o grupo realizava transferências por Pix e também contratava empréstimos em nome das vítimas. Segundo a Polícia Civil, nove pessoas já foram identificadas como participantes do esquema. Durante a operação, os investigadores apreenderam dispositivos eletrônicos, bloquearam contas e solicitaram quebras de sigilos bancário e fiscal. A intenção é identificar outros integrantes da associação criminosa e localizar bens que possam ajudar na reparação dos prejuízos.

Como o golpe consegue enganar a vítima?

O diferencial desse tipo de fraude está justamente na tentativa de fazer com que a vítima acredite que está falando com o próprio banco. Em vez de simplesmente tentar descobrir uma senha, os criminosos constroem uma situação de urgência e autoridade: informam sobre uma suposta movimentação suspeita, um empréstimo ou problema de segurança e, a partir disso, orientam a pessoa a seguir determinados procedimentos.

É nesse momento que informações pessoais, dados bancários ou ações realizadas no aplicativo podem acabar sendo utilizadas pelos criminosos. O Banco Central orienta que, diante de um golpe envolvendo Pix, o cliente deve procurar imediatamente a instituição financeira e solicitar a devolução dos valores, além de registrar um Boletim de Ocorrência.

O que fazer se cair em um golpe?

A orientação é agir rapidamente. O Banco Central informa que a vítima deve comunicar o banco imediatamente e solicitar a devolução por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado especificamente para situações de fraude, golpe ou crime envolvendo Pix. Também é recomendável registrar um Boletim de Ocorrência e guardar comprovantes, mensagens, números de telefone e demais informações relacionadas ao contato com os criminosos.

O MED permite que a instituição financeira avalie a ocorrência e, havendo confirmação de fraude e recursos disponíveis na conta que recebeu o dinheiro, sejam realizados bloqueios e devoluções. O Banco Central informa ainda que o pedido de devolução pode ser feito em até 80 dias após a transação em casos de fraude, golpe ou crime.

Sinais de alerta

  • O suposto funcionário informa que existe uma movimentação suspeita e pede uma ação imediata;
  • A pessoa solicita senha, código de segurança ou informações confidenciais;
  • O contato orienta o cliente a instalar aplicativos ou permitir acesso remoto ao celular;
  • O interlocutor pede que o cliente faça um Pix para uma suposta conta “segura”;
  • O número da ligação parece ser o do banco, mas a situação gera pressão ou urgência.

Uma regra simples pode evitar prejuízos: se alguém ligar dizendo ser funcionário do banco e pedir que você faça alguma operação financeira para “proteger” seu dinheiro, encerre a ligação e procure a instituição pelos canais oficiais.

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