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Ex-colaboradores fazem novas denúncias e relatam ambiente de medo em escola estadual de Anápolis

Depoimentos apontam supostas práticas de intimidação, preconceito, constrangimento e falhas na inclusão de estudantes
Novas denúncias ampliam polêmicas envolvendo escola estadual de Anápolis (Foto: reprodução)

As denúncias envolvendo a gestão e uma professora de uma escola estadual localizada na Vila Fabril, em Anápolis, ganharam novos capítulos. O Diário da Redação ouviu ex-colaboradores que trabalharam na unidade e recebeu relatos sobre o ambiente escolar, a relação da direção com funcionários e alunos e situações que, segundo os entrevistados, ultrapassariam os limites da gestão.

Relatos de intimidação, preconceito e constrangimento

Um dos profissionais ouvidos descreveu a postura atribuída à diretora como abertamente discriminatória: “Ela (diretora) é uma pessoa extremamente racista, homofóbica, ela não aceita que nós trabalhemos assuntos anti-racista, anti-homofobia, anti-transfobia com os alunos. Tudo é no grito e na ameaça.”

Outro ponto citado pelos entrevistados é a suposta utilização das relações pessoais, como forma de intimidação. Segundo relatos a diretora mencionaria possuir proximidades com pessoas ligadas à Secretaria de Educação: “Ela fala pra todo mundo que é amiga de pessoas influentes da educação em Anápolis e Goiânia. Que nunca aconteceu nada com ela e que não se importa com denúncias.”

Sobre as regras impostas aos estudantes, um entrevistado afirmou que caso os alunos descumprissem as regras, seriam mandados de volta para casa: “Ela inventava que a rede estadual proibia o uso de piercings, pintar unhas e cabelos.”

Profissionais em estágio probatório seriam, segundo as declarações, os mais vulneráveis às supostas pressões. Uma das frases atribuídas à gestão seria: “Contrato passa”.

Também foram relatados episódios de constrangimento envolvendo professores na presença dos alunos. Um profissional contou: “Teve uma vez que ela invadiu a minha aula e disse: professor bonitão que cês tem hein, eu me senti completamente invadido. São crianças ali. Ela tocou meu rosto, meus lábios, mesmo eu falando que não era legal seu comportamento, ela continuou. Eu acho que a intenção dela era que eu reagisse”.

Os relatos ainda descrevem situações de constrangimento durante reuniões: “Ela contava a gente por cabeça nas reuniões como vacas.”

Uma ex-colaboradora relatou ainda situações envolvendo uma professora que teria ocupado posição de coordenação e feito comentários de cunho sexual: “As duas eram casadas ou ex-companheiras e brigavam muito ali. Inclusive a tal professora tinha posição de coordenação sem ser. Depois que elas ficaram a par das minhas fotos fazia piadinhas com meus seios.”

Também foram relatados episódios em que profissionais eram criticados dentro da própria sala dos professores, com comentários depreciativos sobre a capacidade de determinados colegas. Há ainda relatos de que funcionários seriam impedidos de receber presentes ou encomendas dentro da escola. Um dos entrevistados contou que uma profissional recebeu um buquê de flores enviado pelo marido, mas teria sido orientada a deixar o presente em um comércio próximo à unidade.

Regras e tratamentos a estudantes

As declarações mais graves, porém, envolvem a forma como estudantes seriam tratados durante situações de conflito. Um dos ex-colaboradores afirmou: “Não dá pra olhar pra uma criança de 12, 13 anos e falar ‘eu quero que vc morra’, ‘eu não me importo com você’, não dá né, tudo tem um limite.”

Outro declarou que o episódio do áudio atribuído à diretora, que ganhou repercussão recentemente, seria apenas uma parte do comportamento que teria presenciado: “Esse áudio que vazou é coisa leve, isso era do cotidiano mesmo. Na cabeça dela não há nada de errado agir dessa forma.”

Um terceiro entrevistado relatou uma suposta ameaça envolvendo um facão: “Eu queria contar que ela falou para o aluno que ia cortar a mão dele com um facão se ele rabiscasse a carteira.”

Relatos sobre professores e inclusão:

Um ex-profissional também afirmou que, antes de assumir uma função na unidade, ouviu uma avaliação sobre a própria diretora: “Quando fui na regional saber em qual escola atuaria, a própria responsável utilizou a expressão ‘difícil de lidar’ para a diretora.”

Outro entrevistado afirmou que a gestão costumava atribuir aos professores a responsabilidade pelos problemas da escola: “Ela terceiriza toda a responsabilidade, sempre diz que a culpa da escola não ir bem é dos professores.”

A situação dos estudantes que necessitam de apoio também foi mencionada: “Pelo menos uma professora de apoio acompanha a Professora de português (que é ex-companheira da diretora) para corrigir redações deixando o apoio dos alunos especiais.”

Alguns relatos destacaram o controle dos funcionários por meio das câmeras de segurança. Segundo os entrevistados, os equipamentos seriam utilizados para  vigiar o comportamento dos colaboradores e estudantes. Entretanto, quando os funcionários solicitavam acesso a determinadas imagens, como já ocorreu em um caso grave, recebiam a informação de que não existiriam gravações.

Outro depoimento relaciona o período de trabalho na escola a impactos emocionais: “Infelizmente eu tive que começar a tomar medicação, na época que trabalhei lá fiquei muito mal.”

Os depoimentos ouvidos pelo Diário da Redação apresentam um cenário que precisa ser apurado pelos órgãos responsáveis, especialmente diante da natureza das acusações e do fato de envolverem crianças, adolescentes e profissionais da educação.

Secretaria de Educação é procurada

O Diário da Redação entrou em contato com a Secretaria de Estado da Educação para questionar se o órgão tem conhecimento das denúncias, se existem investigações ou procedimentos administrativos relacionados à escola e quais providências serão adotadas. Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria de Educação não havia respondido aos questionamentos. O espaço permanece aberto para manifestação.

O Diário da Redação esclarece que as declarações acima foram apresentadas por ex-colaboradores entrevistados pela reportagem e são reproduzidas como depoimentos, sem antecipar conclusões sobre eventuais responsabilidades. A apuração dos fatos cabe aos órgãos competentes.

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