Um levantamento recente do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT ReDem) revela que 75,2% dos evangélicos no Brasil rejeitam a realização de campanhas eleitorais dentro das igrejas. Apesar dessa rejeição majoritária, entre 38% e 39% dos fiéis frequentam congregações que demonstram viés político, com apoio explícito a candidatos. Os dados, coletados em fevereiro de 2025, analisam o impacto nas eleições municipais de 2024 e no segundo turno presidencial de 2022, destacando uma tensão interna nas comunidades evangélicas.
Pesquisa nacional
A pesquisa ouviu 1.504 evangélicos de diversas denominações, incluindo Assembleia de Deus, Batista e Universal do Reino de Deus, em todo o território brasileiro. Dos entrevistados, 34,1% relataram que suas igrejas apoiaram candidatos nas eleições municipais de 2024. Essa politização ocorre apesar da clara oposição da maioria, que prefere manter os cultos livres de influências eleitorais.
Os pesquisadores do INCT ReDem apontam que líderes evangélicos continuam a usar os púlpitos para fins políticos, o que pode influenciar votos por meio de pressão social. No entanto, essa prática vai contra as preferências declaradas dos fiéis, criando um cenário de desconforto interno.
Quase 40% dos evangélicos frequentam igrejas nas quais houve apoio a candidatos nas eleições municipais de 2024.
Tensões internas e impactos eleitorais
A análise sugere que a politização das igrejas mobiliza redes e gera efeitos eleitorais, mas opera sob tensão com a maioria dos frequentadores. Essa dinâmica reflete uma divisão entre as lideranças e os membros comuns, onde a influência de pastores pode pressionar votos, mesmo com rejeição generalizada.
Em eleições passadas, como o segundo turno de 2022, padrões semelhantes foram observados, com denominações variando em seu envolvimento político. O estudo enfatiza a necessidade de entender como essas práticas afetam a democracia, especialmente em um país onde os evangélicos representam uma fatia significativa do eleitorado.
Esse resultado sugere que a politização das igrejas opera sob uma tensão interna: ela pode mobilizar redes e produzir efeitos eleitorais, mas o faz em desacordo com as preferências declaradas da maioria dos frequentadores.
Implicações para o futuro
Com as próximas eleições se aproximando, esses dados destacam a importância de debater o papel das instituições religiosas na política brasileira. A rejeição majoritária pode incentivar mudanças internas nas igrejas, promovendo uma separação mais clara entre fé e campanhas eleitorais.
Os pesquisadores do INCT ReDem recomendam mais estudos para monitorar essa evolução, garantindo que as vozes dos fiéis sejam ouvidas. Essa pesquisa contribui para um entendimento mais profundo da interseção entre religião e política no Brasil contemporâneo.