Nos últimos anos, o número de pessoas com deficiência (PCD) matriculadas no ensino superior brasileiro tem crescido de forma significativa. A conscientização sobre o direito à inclusão tem aberto portas que, por muito tempo, permaneceram fechadas. Em 2013, pouco mais de 10 mil estudantes com deficiência frequentavam universidades no país. Dez anos depois, em 2023, esse número quase triplicou, chegando a aproximadamente 39 mil matrículas um salto histórico que reflete importantes transformações sociais e legais.
Um dos marcos dessa mudança foi a Lei de Cotas, em vigor desde 2016, que impulsionou o acesso ao ensino superior. Mas, mais do que leis, a crescente mobilização da sociedade e das próprias instituições tem dado visibilidade à pauta da inclusão, garantindo espaço para que esses estudantes possam exercer plenamente seu direito à educação.
Entretanto, os desafios ainda são grandes. Barreiras físicas e digitais continuam limitando a experiência acadêmica de muitos alunos. Sites institucionais que não são compatíveis com leitores de tela, falta de intérpretes de Libras e estruturas pouco acessíveis são exemplos recorrentes. Além disso, atitudes capacitistas como preconceitos, desinformação e a ausência de empatia contribuem para o isolamento social e dificultam a participação plena desses estudantes na vida universitária.
Outro dado preocupante é que pessoas com deficiência têm menor probabilidade de concluir o curso superior, quando comparadas aos demais estudantes. Esse cenário evidencia a necessidade urgente de políticas de permanência mais eficazes. Não basta garantir o acesso, é fundamental que as universidades criem ambientes verdadeiramente inclusivos, com suporte pedagógico, tecnológico e psicológico, além de programas que fortaleçam a trajetória acadêmica e pessoal desses alunos.