Durante sessão de julgamento no Supremo Tribunal Federal na quinta-feira, 18 de junho de 2026, a ministra Cármen Lúcia fez um pronunciamento duro sobre a nulidade de audiência no caso Mariana Ferrer. Ela afirmou que o Brasil ainda mantém uma cultura que responsabiliza as mulheres por situações de violência sexual. O voto destacou que avanços legais não foram acompanhados por transformação social suficiente, o que contribui para a subnotificação desses crimes.
Perspectiva da ministra sobre a cultura atual
A ministra ressaltou que comportamentos sociais persistem e questionam as vítimas, dificultando denúncias. Segundo ela, a ideia de responsabilizar a mulher pela roupa ou atitude continua presente. Cármen Lúcia observou que isso afeta filhas, irmãs e noras, mantendo um padrão de desigualdade entre homens e mulheres.
A ideia de alguém da minha geração ou dos nossos pais era perguntar: ‘O que você fez? A saia estava mais curta?’ Isto não acabou. Era para ter acabado.
Cármen Lúcia
Desafios enfrentados pelas vítimas
A ministra explicou que muitas vítimas sentem vergonha e medo de reações, inclusive da própria família. Ela citou a frase comum de parentes que desestimulam a denúncia. Cármen Lúcia concluiu que apenas quem passa pela experiência pode compreender a dor real.
É porque a gente tem vergonha. É porque a gente fica sem saber que comportamento adotar. É porque, até para depois falar com o parceiro, a gente tem medo da reação do outro.
Cármen Lúcia