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Diário HojeAutomedicação pode maquiar problemas ortopédicos e piorar sintomas

Automedicação pode maquiar problemas ortopédicos e piorar sintomas

Mônatha Nogueira

Goiânia, 30 de agosto de 2021 – Uma das práticas relacionadas à saúde mais comuns entre os brasileiros, a automedicação pode estar por trás do agravamento de vários problemas ortopédicos que envolvem músculos, ossos, tendões e ligamentos. O hábito, de acordo com especialistas, contribui para mascarar problemas mais sérios que deveriam ser tratados de forma definitiva e não apenas paliativa, como acontece no caso do uso de analgésicos. E no momento em que parte significativa dos trabalhadores passaram a atuar em home office, sem uma estrutura ergonômica adequada, os sintomas corporais que forçam a ingestão de medicamentos para alívio das dores ganharam peso.

Um levantamento anterior ao período da covid-19 realizado pelo Ibope apontou que 63% dos brasileiros já apresentavam algum tipo de desconforto ortopédico. Já uma pesquisa divulgada pelo CFF (Conselho Federal de Farmácia) em 2019 mostrou que 77% da população do país ingeriam remédios por conta própria. Já um relatório da Iqvia, consultora que faz a coleta de estatísticas do mercado de saúde e bem-estar, detalha que em março de 2020 – início da pandemia – a compra de analgésicos isentos de prescrição teve crescimento de 62% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

No entanto, apesar de parecer a alternativa mais prática e rápida, a automedicação pode não passar de uma maquiagem que esconde alguma doença potencialmente grave. O alerta é feito pelo ortopedista Tiago Antunes, membro da Sbot (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia). “Quando a pessoa se automedica por achar, baseada na experiência de um terceiro, que o medicamento X ou Y vai melhorar sua dor, ela pode até ter um alívio, mas passageiro. O hábito camufla um problema que muitas vezes tem tratamento definitivo se houver um diagnóstico correto.”

De acordo com o médico, as dores musculoesqueléticas estão associadas ao esforço repetitivo e uso excessivo de força. Nesse contexto, o trabalho mais custoso ou pesado, segundo define a SBED (Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor), é onde mais são identificados casos de pessoas com dor lombar. A entidade cita que três em cada dez pessoas licenciadas do trabalho por motivo de doença se ausentam em função desse problema.

Complicações

Além de contribuir para esconder doenças, aliviando temporariamente os sintomas, o uso de qualquer tipo de medicamento embute o perigo de uma intoxicação por dosagem errada. Para se ter uma ideia, somente no Brasil cerca de 30 mil casos de internação por ano são decorrentes da intoxicação e os analgésicos estão entre os medicamentos que mais causam o problema. A constatação é do Sinitox (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas). Dependência, resistência e a perda das funções de órgãos vitais, como fígado e rins, também fazem parte do pacote das complicações oferecidas pelo uso dos analgésicos sem orientação médica.

Não menos preocupante que todos os efeitos colaterais é o número de mortes por envenenamento. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) avalia que 18% dos óbitos podem ser atribuídos à prática da automedicação. “A sutil diferença entre veneno e remédio é a dosagem. É preciso mudar a cultura brasileira que faz as pessoas não buscarem um médico na hora do tratamento das dores, em especial as musculares. Com ajuda profissional adequada é possível aumentar a possibilidade de cura sem sequelas”, conclui o ortopedista.

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