Três técnicos em enfermagem são suspeitos de envolvimento na morte de cerca de 20 pacientes na UTI do Hospital Anchieta, no Distrito Federal. A informação foi divulgada pela Polícia Civil do DF (PCDF) nesta terça-feira (20). Os investigados são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, apontado como líder do esquema, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos.
A suspeita ganhou força após a confissão de Marcos e Marcela, que admitiram a autoria de três homicídios. Segundo a investigação, Marcos aplicava doses excessivas de medicamentos nos pacientes, usando as substâncias como veneno. Em ao menos um caso, ele teria injetado desinfetante diretamente na veia da vítima. As outras duas técnicas são apontadas como facilitadoras das ações.
Entre as vítimas confirmadas estão uma professora aposentada de 75 anos, um servidor público de 63 anos e outro de 33 anos. Os crimes foram registrados em novembro e dezembro do ano passado.

Imagens do circuito interno de segurança da UTI foram decisivas para as confissões, após os suspeitos inicialmente negarem envolvimento. A polícia apurou ainda que Marcos utilizou a senha de um médico para emitir receita fraudulenta e aplicar medicamentos sem autorização da equipe médica, além de tentar disfarçar os crimes realizando manobras de reanimação.
Os três técnicos foram presos no último dia 11 e demitidos pelo Hospital Anchieta após a abertura de investigação interna. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos no DF e em Águas Lindas de Goiás. A Polícia Civil segue apurando se há outras vítimas e se os crimes ocorreram em diferentes unidades de saúde.
Nota na íntegra do Hospital Anchieta
“O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) informa que tomou conhecimento dos fatos noticiados pela imprensa envolvendo mortes suspeitas de pacientes em uma unidade hospitalar do Distrito Federal.
Diante da gravidade das informações divulgadas, o Coren-DF esclarece que está acompanhando o caso e adotando as providências cabíveis no âmbito de sua competência legal.
Ressalta-se que o caso também está sob investigação das autoridades competentes e tramita na esfera judicial. Dessa forma, neste momento, não é possível emitir juízo de valor ou qualquer conclusão definitiva, devendo ser respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa dos envolvidos.
O Conselho segue compromissado com a segurança do paciente, a ética profissional e a defesa de uma enfermagem qualificada, responsável e comprometida com a vida.”