A tarifa do transporte coletivo em Anápolis voltou ao centro do debate após decisão da Vara da Fazenda Pública Municipal que fixou o valor de R$ 8,19 como custo contratual por passageiro. A medida, assinada pelo juiz Gabriel Lisboa Silva e Dias Ferreira, atendeu a um pedido da concessionária Urban, que alegou desequilíbrio financeiro no contrato firmado com a Prefeitura.
Atualmente, os usuários pagam R$ 6 em dinheiro ou R$ 5,25 com o cartão eletrônico, valores em vigor desde dezembro de 2024, após o último reajuste. O temor inicial era de que a decisão levasse a um aumento imediato da tarifa para os passageiros. No entanto, o diretor jurídico da Urban, Carlos Leão, esclareceu que o montante de R$ 8,19 não corresponde ao que será cobrado dos usuários, mas sim ao custo real da operação por passageiro.
Segundo Leão, o modelo defendido em Anápolis é semelhante ao aplicado em Goiânia, onde o custo por passageiro supera R$ 12, mas a tarifa permanece em R$ 4,30, graças a subsídios da administração pública. A expectativa é de que a Prefeitura de Anápolis também encontre meios, inclusive em parceria com o Governo de Goiás, para evitar o repasse integral desse valor ao usuário.
A decisão judicial ainda gerou polêmica processual. O magistrado apontou revelia da Prefeitura, mas a gestão municipal contestou, afirmando que apresentou defesa dentro do prazo legal e que recorrerá da medida.
Enquanto a disputa se arrasta nos tribunais, a Urban depende dos repasses da Prefeitura para honrar o acordo coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Anápolis (Sittra). O pacto, homologado pelo Tribunal Regional do Trabalho, prevê reajuste salarial de 5,2% e melhorias nos benefícios da categoria. O prazo final para o pagamento é 5 de setembro, sob risco de greve caso os recursos não sejam repassados.
Apesar das incertezas jurídicas e financeiras, a Urban garante que os trabalhadores serão atendidos e que a população não deve se preocupar com a aplicação imediata da tarifa de R$ 8,19. A manutenção do preço atual, porém, dependerá da capacidade do poder público de subsidiar o sistema.