Moradores do Condomínio Torres do Mirante, localizado na Vila Jaiara, região Norte de Anápolis, realizaram um protesto para denunciar supostas irregularidades na administração financeira e na condução da gestão do empreendimento. Os condôminos afirmam que o residencial acumula um saldo devedor que pode se aproximar de R$ 1 milhão.
De acordo com os moradores, a dívida já ultrapassa R$ 800 mil e inclui pendências registradas desde 2018. Eles também alegam que o condomínio estaria operando há meses sem fundo de reserva, mesmo contando com mais de 300 unidades que contribuem com taxa mensal.
Entre as principais reclamações estão a realização de obras nas áreas comuns, como serviços de jardinagem, sem aprovação prévia em assembleia. Segundo os proprietários, as intervenções teriam elevado as despesas do condomínio sem autorização formal, contrariando normas internas.
A aplicação de multas também é alvo de críticas. Moradores relatam penalidades consideradas excessivas ou sem justificativas claras. Uma das situações citadas envolve uma proprietária multada em mais de R$ 3 mil por suposta difamação em grupos internos de comunicação. Parte dos condôminos afirma que as sanções estariam sendo utilizadas como forma de pressionar moradores e limitar a participação em decisões coletivas.
Em julho de 2025, uma assembleia com a participação de mais de 60 moradores — representando mais de 90 votos, incluindo procurações — aprovou por unanimidade a destituição do síndico. No entanto, a decisão foi suspensa por determinação judicial, posteriormente alvo de recursos e liminares, o que gerou um impasse jurídico na administração do condomínio.
Uma nova assembleia está marcada para o dia 3 de fevereiro de 2026. A pauta inclui a eleição de síndico, subsíndico e conselho fiscal, além da prestação de contas de 2025 e da previsão orçamentária para 2026. Alguns moradores, porém, questionam o formato e o horário da convocação, alegando que dificultam a participação de idosos e trabalhadores sem acesso à internet.
Ao Portal 6, a administração do Torres do Mirante negou as acusações de perseguição. Em nota, informou que decisões judiciais recentes condenaram quatro moradores ao pagamento de indenização por danos morais contra o síndico. A gestão também afirmou que as multas possuem respaldo legal, com garantia de direito de defesa, e que as obras seguem as previsões orçamentárias aprovadas.
O caso reacende o debate sobre transparência, prestação de contas e participação dos condôminos na gestão de grandes empreendimentos residenciais.