Um novo estudo realizado nos Estados Unidos e publicado na renomada revista JAMA (Journal of the American Medical Association) trouxe evidências significativas sobre os benefícios do uso de aparelhos auditivos na prevenção de demência e outras doenças neurodegenerativas. A pesquisa mostrou que entre os participantes que utilizaram os dispositivos, o risco de desenvolver condições como Alzheimer foi reduzido em até 60%.
A perda auditiva, muitas vezes negligenciada, está diretamente associada ao aumento do risco de declínio cognitivo e demência, sendo considerada um dos principais fatores de risco para doenças neurodegenerativas. Contudo, a pesquisa revela que o tratamento adequado da perda auditiva pode desempenhar um papel fundamental na proteção do cérebro e na manutenção da saúde cognitiva.
Baixa adesão ao uso de aparelhos auditivos
Embora os resultados do estudo sejam promissores, a utilização de aparelhos auditivos ainda é bastante limitada. Apenas 17% das pessoas com perda auditiva moderada ou grave fazem uso dos dispositivos, o que indica uma falta de conscientização sobre a importância desse tratamento para a saúde cerebral.
Os pesquisadores analisaram dados de cerca de 3.000 participantes com perda auditiva leve a grave e com menos de 70 anos. O uso dos aparelhos foi determinado pelo relato dos próprios pacientes, sem uma análise detalhada sobre o tempo de uso ou a relação entre a gravidade do problema auditivo e os resultados observados.
Importância da intervenção precoce
A correlação entre a perda auditiva e o aumento do risco de demência já é conhecida há alguns anos, mas os detalhes sobre como o uso dos aparelhos auditivos pode contribuir para a redução desse risco continuam a ser explorados. O estudo sugere que, mesmo sem uma intervenção precoce, o uso regular de aparelhos auditivos pode ser eficaz na diminuição do risco de declínio cognitivo.
Embora o estudo não tenha abordado especificamente se a redução do risco está relacionada à intervenção precoce, os especialistas acreditam que o tratamento adequado e a detecção precoce da perda auditiva são fundamentais para maximizar os benefícios a longo prazo.
Desafio: Conscientização e acessibilidade
A pesquisa destaca ainda a necessidade de aumentar a conscientização sobre os benefícios dos aparelhos auditivos e de melhorar a acessibilidade a esses dispositivos, que muitas vezes são subutilizados, tanto pela falta de informação quanto pelo custo elevado.
Com esses novos achados, especialistas recomendam que, além do diagnóstico precoce da perda auditiva, as políticas públicas de saúde devem incluir o tratamento auditivo como parte de estratégias mais amplas de prevenção à demência, especialmente para a população idosa.