A Polícia Civil indiciou dois funcionários da Equatorial Goiás por tentativa de atrapalhar a investigação sobre a morte do menino João Victor Gontijo de Oliveira, de 10 anos, eletrocutado em setembro do ano passado, em Anápolis, após tocar um cabo energizado caído na calçada.
O relatório final, assinado pela delegada Aline Rodrigues, aponta que os investigados apresentaram aos peritos um cabo de fibra óptica com identificação da Prefeitura, alegando que seria o responsável pelo acidente. A versão foi descartada pela perícia, que concluiu que o choque ocorreu por contato com um fio metálico energizado instalado de forma irregular em uma luminária pública.
A análise técnica identificou sinais de aquecimento e carbonização no cabo envolvido no acidente, indícios de passagem de corrente elétrica, enquanto o material entregue pelos funcionários não apresentava danos. Testemunhas também relataram intervenções no local antes da perícia, o que pode ter comprometido a preservação da cena.
Segundo a investigação, as ações indicam tentativa de transferir a responsabilidade à prefeitura. Apesar das falhas constatadas, a polícia não conseguiu apontar um responsável direto por homicídio culposo, citando uma cadeia de responsabilidades envolvendo instalação irregular, problemas elétricos e falta de fiscalização.
O caso gerou forte repercussão na cidade e resultou na criação de uma lei municipal que regulamenta a organização de cabos em postes. A Polícia Civil destacou que ainda podem ocorrer punições administrativas e cíveis, além da reabertura do inquérito caso surjam novas provas.